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Retrospections Alienígenas Precisam de Tempo para Desenvolver Cérebros
 
Alienígenas Precisam de Tempo para Desenvolver Cérebros
Tradutor: Bruno Martini
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Alien Life
Posted:   12/02/02
Author:    Leslie Mullen

Summary: Esperamos que alienígenas sejam muito mais espertos que nós. Não só eles possuirão a sabedoria de eras, mas viajarão a uma velocidade de empenamento, terão a habilidade de transformar (ou destruir) planetas inteiros e sua civilização se espalhará pelas galáxias.

Spock: Caçar uma espécie até a extinção não é lógico.
Gillian: No entanto, quem disse que a humanidade é lógica?
Star Trek, The Voyage Home (Jornada nas Estrelas A Viagem para Casa)

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Frank Drake acredita que pode haver um milhão de civilizações inteligentes na Via Láctea e provavelmente bilhões de tais civilizações pelo Universo afora.
Crédito da imagem: SETI



Esperamos que alienígenas sejam muito mais espertos que nós. Não só eles possuirão a sabedoria de eras, mas viajarão a uma velocidade de empenamento, terão a habilidade de transformar (ou destruir) planetas inteiros e sua civilização se espalhará pelas galáxias.

Até acharmos vida alienígena, podemos apenas especular sobre quantas civilizações inteligentes podem estar lá fora. Frank Drake fez uma tentativa de se estimar o número em 1961, quando ele formulou a “Equação de Drake”. De acordo com esta equação, pode haver um milhão de civilizações inteligentes na galáxia da Via Láctea e provavelmente bilhões de tais civilizações através do Universo.

A equação de Drake é baseada em parte em uma estimativa do número de planetas na galáxia que podem abrigar vida. Tais planetas teriam de existir em “zonas habitáveis” – aquelas regiões ao redor de estrelas que melhor abrigariam vida como a conhecemos. Estes planetas seriam os lugares mais prováveis onde a vida capaz de alcançar inteligência é fomentada e sustentada.

Para entender como a inteligência se desenvolve, nós temos apenas um exemplo para estudar: o desenvolvimento de inteligência na Terra. A primeira vida no nosso planeta provavelmente surgiu há aproximadamente 3,8 bilhões de anos, menos de um bilhão de anos depois da própria Terra ser formada. Mas a vida multicelular não aparece até quase 3 bilhões de anos depois e a primeira vida animal não se formou até a Explosão do Cambriano, 600 milhões de anos atrás. Cristopher McKay, um cientista planetário do Ames Research Center (Centro de Pesquisa Ames) da NASA, definiu inteligência como “a habilidade de construir um radiotelescópio”. Se nós formos pela definição de McKay, então a verdadeira inteligência na Terra não apareceu até o século XX.

Uma vez que a inteligência levou um longo tempo para se desenvolver na Terra, alguns acreditam que também o levará em outros mundos. O paleontólogo Peter Ward e o astrônomo Donald Brownlee expressaram sua crença no livro, “Rare Earth: Why Complex Life is Uncommon in the Universe” (“Terra Rara: Por Que a Vida Complexa é Incomum no Universo”, ainda sem tradução para o português). Vida inteligente, eles dizem, é devida a uma longa cadeia de eventos altamente dependentes do acaso. Parece ser impossível que as singularidades desta cadeia de eventos ocorram em outros mundos. Portanto, como o título de seu livro indica, eles acreditam que a vida microbiana, simples, pode ser comum no Universo, mas vida complexa pode ser rara. Eles certamente não esperam encontrar muitas civilizações alienígenas avançadas lá fora.

Outros cientistas discordam desta conclusão. Eles sugerem que a vida animal – ou algo que pareça isto – pode ter se desenvolvido mais rapidamente em outros mundos. Um proponente desta teoria é McKay, que escreveu o trabalho Time for Intelligence on Other Planets (“Tempo para Inteligência em Outros Planetas”) para determinar o menor tempo possível que levaria para a inteligência se desenvolver depois da origem da vida.

Processando os Números

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A Terra jovem teve muito pouco oxigênio livre até cianobactérias (mostradas acima) e outras formas de vida fotossintéticas começaram a produzir há aproximadamente 2 bilhões de anos.
Crédito da imagem: Y. Tsukii, outubro de 2000
Apesar da visão tradicional da evolução ser uma constante pressão em direção à maior complexidade, o registro fóssil da Terra mostra que ao invés disto, houve períodos de rápidas mudanças seguidos por longos períodos em que nada de mais aconteceu. Mckay diz que tal tipo de estilo de retardo da evolução pode não ser universal. Removendo os períodos de tempo da evolução, que ele chama de “espúrios”, ele diz que a vida inteligente pode levar tão pouco quanto 100 milhões de anos para evoluir.

“Nada na nossa compreensão da evolução sugere que estes períodos de estase são requeridos”, diz McKay. “Nós acreditamos que eles representam meros acasos históricos”.

Outro fator limitante para evolução na Terra foi uma ausência de oxigênio. A Terra jovem teve bem pouco oxigênio livre até as cianobactérias e outras formas de vida fotossintéticas começarem a produzi-lo aproximadamente 2 bilhões de anos atrás. O oxigênio pode ter sido a chave para o tecido da multicelularidade e assim, a formação de grandes organismos multicelulares capazes de desenvolver um cérebro. O incremento do oxigênio também levou para o desenvolvimento de uma camada de ozônio, abrigando a vida na Terra dos perigosos raios UV do Sol.

Mas esta necessidade pode não ser o caso para outros mundos. Eventualmente alguns planetas começam com substanciais quantidades de oxigênio atmosférico. Uma atividade tectônica mais lenta poderia fazer mais oxigênio disponível, assim como faria uma geografia menos rica em ferro. Um planeta com acesso a oxigênio cedo poderia testemunhar vida e inteligência, evoluindo muito mais rápido que na Terra.

Outros fatores afetando a evolução da Terra foram os eventos cataclísmicos, como os impactos de asteroides. Tais eventos liquidariam a vida complexa, mas estes eventos podem também clarear o caminho para o desenvolvimento de formas de inteligência mais avançadas. As criaturas com cérebros superiores podem ter sido mais capazes de salvar eles mesmos das súbitas mudanças nos seus ambientes causadas por estes eventos.

Muitos dos fatores que levaram ao desenvolvimento da vida na Terra permanecem um enigma para nós, então pode haver muitas outras características de um planeta, ou mesmo de um sistema estelar, que afetam o desenvolvimento de inteligência. Por exemplo, alguns cientistas notaram que a inteligência não surgiu na Terra até o Sol alcançar sua meia-idade. Talvez, eles sugeriram, a inteligência pode não evoluir até a estrela do planeta alcançar um certo estágio em sua própria evolução.

Chris McKay, no entanto, diz que ele não ouviu um argumento convincente de porque a inteligência do nível humano precisou do Sol estar em sua meia-idade.

“Eu diria que o incremento do oxigênio é a única boa exigência ambiental”, diz McKay.

Por Que Apenas Uma?

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Dinossauros dominaram o planeta por mais de 150 milhões de anos, ocupando todos os nichos que mamíferos hoje ocupam.
Crédito da imagem: National Geographic
O registro fóssil da Terra indica que, apesar de períodos de estase ou de recuos como por impactos de asteroides, muitos organismos evoluem para uma maior complexidade. Algumas das formas de vida da Terra foram extintas, enquanto outras se tornaram acossadas em fins de linha evolucionários. Mas, como um todo, a evolução tem mudado para um acréscimo de complexidade do sistema nervoso central, culminando no desenvolvimento do cérebro (O cérebro como um órgão com o seu crânio não se desenvolveram até a emergência do primeiro animal vertebrado).

Uma vez que a evolução parece mirar ao desenvolvimento da inteligência, um planeta deveria ser capaz de evoluir não apenas uma, mas muitas espécies inteligentes ao longo do tempo. Ainda que na Terra os humanos tenham sido a única espécie que desenvolveu inteligência “construtora de radiotelescópios”.

“Pode ser argumentado que entre os mamíferos, os humanos desenvolveram inteligência primeiro e estão por meio disto, efetivamente impedindo o desenvolvimento de inteligência em qualquer outra espécie”, afirma McKay. “Segue deste argumento que a inteligência evolui apenas uma vez em um planeta, porque uma vez evoluída ela muda as regras da interação entre espécies e efetivamente domina o planeta daí em diante.”

A inteligência humana poderia nunca ter evoluído se os dinossauros não tivessem sido extintos. Durante a era dos dinossauros, nossos ancestrais eram pequenas criaturas semelhantes a roedores escavando por comida na grama baixa. No entanto, nós tivemos de esperar pelos dinossauros desaparecerem antes que pudéssemos evoluir através de certo ponto. No entanto, diz McKay, esta teoria ainda não explicaria porque os dinossauros não se tornaram os primeiros construtores de telescópios da Terra. Eles dominaram o planeta por mais de 150 milhões de anos, ocupando todos os nichos que os atuais mamíferos ocupam.

“Isto é mais que duas vezes o tempo entre o fim do Cretáceo e a construção do primeiro radiotelescópio”, disse McKay. “Se pode especular que eventualmente Stenonychosaurus (também conhecido como Troodonte) ou sua prole criou radiotelescópios, mas sua civilização foi destruída por alguma catástrofe interna ou externa”. Talvez o tempo de vida da sua civilização foi tão pequeno, comparado com a resolução do registro geológico, que é simplesmente perdido sem traços nas profundezas do tempo. É difícil dizer qual evidência sobreviveria da civilização humana – se fosse exterminada agora – depois de 65 milhões de anos de atividade tectônica, erosão e alteração do nível do mar”.

Uma vez que parece que a inteligência evoluiu uma vez na Terra, apesar de outras oportunidades para fazê-lo, talvez não muitas formas de inteligência poderiam evoluir em outros planetas. McKay diz que considerando a história evolutiva da Terra, as singularidades para desenvolver inteligência em qualquer outro lugar podem ser menores que uma em três (65/215). Ainda, dado apenas o potencial número de planetas habitáveis na nossa galáxia, isto poderia significar que há muitos milhões de espécies inteligentes lá fora.

“As singularidades que eu computei são apenas um limite superior grosseiro baseado na história da Terra como a conhecemos”, afirmou Mckay. “Para nós sermos os ÚNICOS construtores de rádio na galáxia, as singularidades deveriam ser muito menores – aproximadamente 1 em um milhão.”

O Que Vem Depois

Apesar de toda a racionalidade por trás de um ponto de vista ou de outro, a questão de quantas civilizações inteligentes estão lá fora só pode ser respondida se descobrirmos vida alienígena. A NASA está planejando lançar o Terrestrial Planet Finder (Localizador de Planetas Terrestres). Este satélite irá operar por 6 anos buscando por planetas do tamanho da Terra ao redor de estrelas distantes.

Enquanto isto, cientistas com o Search for Extraterrestrial Intelligence – SETI (Busca por Inteligência Extraterrestre) continuam a explorar o espectro eletromagnético por transmissões alienígenas. O Instituto SETI recentemente publicou “SETI 2020”, um livro detalhando o foco das estratégias do SETI entre agora e o ano de 2020.

This story was originally published in English.


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