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"Base Secreta em Marte", um Artefato de Raio Cósmico
Tradutor: Bruno Martini
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Mars
Posted:   06/14/11
Author:    Nancy Atkinson

Summary: Recentemente um vídeo fez seu trajeto pela rede alegando que uma estação espacial havia sido descoberta em Marte. Na realidade a imagem não é nada além que pixels ruins causados por um raio cósmico atingindo a espaçonave Mars Express enquanto a foto foi tirada.


É hora de um novo episódio de “Teoria da Conspiração da Semana”. Esta envolve uma suposta estação espacial secreta em Marte. O vídeo do You Tube mostrando a “Bio Station Alpha” (“Bio Estação Alfa”) se tornou viral e foi inclusive relatada em algumas dos principais veículos de comunicação da mídia. A estação é supostamente uma estrutura de 200 m X 45 m em Marte e em alguns relatos é colorida de branco com faixas azuis e vermelhas. Ela foi encontrada no Google Mars (Google Marte) por um “astronauta de poltrona” e blogueiros da conspiração de tirar o fôlego elogiaram isto como a mais importante descoberta em Marte até agora e a “prova!” de que a NASA está escondendo suas atividades.

Na realidade isto não é uma estação espacial, uma base em Marte ou qualquer tipo de estrutura – criada ou natural – na superfície do Planeta Vermelho. O que aparece neste local no Google Mars é apenas uma má leitura de 11 pixels ruins dos dados disponibilizados – uma faixa linear semelhante a um artefato causada por um raio cósmico atingindo a espaçonave Mars Express (Expresso Marte) enquanto ela estava tomando a imagem – e em seguida este borrão foi bastante distorcido através do processamento de imagem, quando se tornou parte do Google Mars.

“Isto parece ter sido atingido por um raio cósmico”, disse Tanya Harrison, cientista planetária na equipe de operações de ciências para a Mars Reconnaissance Orbiter Context Camera – CTX (Câmera de Contexto do Orbitador de Reconhecimento Marte) e o Mars Color Imager – MARCI (Imageador Colorido Marte) no Malin Space Science Systems – MSSS (Sistemas de Ciência Epacial Malin). “Nós vemos isto de tempos em tempos nos dados do MARCI vindos do MRO, o Mars Reconnaissance Orbiter (Orbitador de Reconhecimento Marte)”.

Aqui está a imagem que é vista no Google Mars após o processamento, que inclui artefatos de compressão muito visíveis:

A faixa no Google Mars, mal interpretada como uma base secreta em Marte. Crédito da imagem: Google Mars


E agora aqui está a imagem original tirada pela Mars Express High Resolution Stereo Camera Image – HRSC – (a Câmera de Imagem Estéreo de Alta Resolução (H5620_0000_ND), tirada em 18 de maio de 2008 (e aqui está a conexão para a imagem original):

Imagem original da HRSC do Mars Express do local em questão em Marte. Crédito: ESA


Esta imagem realmente esclarece que isto é uma imagem de um artefato de raio cósmico a atingindo.

Aqui o mesmo local tirada pela MRO Context Camera (CTX) em 25 de janeiro de 2010 (uma coleta do mesmo local como vista acima, a partir da imagem original maior do CTX está disponível aqui):

Imagem da MRO Context Camera (CTX) do mesmo local, MRO CTX B17_016407_2528_XN_72N029W. Crédito: MSSS


Nesta imagem, cada pixel representa uma distancia de uns 6,25 m, uma maior resolução que a disponível pela espaçonave Mars Express, que tira imagens a 10 m por pixel. Obviamente não há estrutura ou algo incomum no local, exceto pelas dunas de areia do polar norte.

Harrison explicou que a CTX obtém imagens em escalas de cinza (branco e preto) de 6 m por pixel em escala sobre uma faixa de 30 quilômetros de largura e provém imagens contextuais para as câmeras do MRO, a HiRISE e a CRISM, que pode tirar imagens de resolução ainda maior. Ela (CRISM) é usada para monitorar mudanças ocorrendo no planeta e ajudar a equipe cientifica a selecionar alvos científicos críticos. A equipe nos Sistemas Ciência Espacial Malin estuda com atenção as imagens procurando por qualquer coisa incomum. Neste caso, neste local, eles não acharam nada.

“Todo dia, as imagens que obtemos com a CTX e MARCI no dia anterior são inspecionadas por múltiplos grupos de olhos”, contou Harrison à Universe Today. “Nós olhamos para cada imagem por múltiplas razões: checar a saúde do instrumento, monitorar as condições meteorológicas para futuros alvos das câmeras e procurar por algo geologicamente interessante.”

Harrison acrescentou que quase todo o pessoal de operações da equipe possui mestrados e doutorados em geologia ou um campo relacionado.

“Se nós encontrarmos algo fora do comum, nós olhamos em imagens prévias da área, não apenas do CTX e MARCI, mas do Mars Global Survey’s Mars Orbiter Camera (Câmera do Orbitador Marte de Inspeção Global de Marte), do THEMIS VIS e IR na espaçonave Mars Odyssey (Odisseia Marte), do HRSC na Mars Express e Viking”, disse Harrison. “Isto nos permite olhar para as feições em diferentes ângulos de iluminação, períodos do dia, resoluções, etc. Nós identificamos melhor do que especular sobre algo abaixo da resolução de nossas câmeras, então se vemos algo na CTX que vale a pena ser acompanhado por uma melhor resolução, nós pedimos ao HiRISE para imagear. A mesma coisa ocorreu com o MOC, acompanhando coisas observadas nas imagens de maior ângulo e baixa resolução com imagens estreitas de alta resolução.”

Claramente, esta região foi imageada e examinada previamente, com absolutamente nada encontrado pelos principais especialistas na área. A região é tão interessante que nenhum deles requisitou para o HiRISE – que pode tirar imagens de 1 a 2 m por pixel – para tirar quaisquer imagens desta área.

Harrison disse que o CTX tira imagens de Marte que possuem até 30 km de largura e acima de 300 km de comprimento em uma resolução bem alta. “Esta é uma pegada bastante grande com uma resolução relativamente alta comparada com as câmeras anteriores!” ele disse. “O tamanho desta pegada nos permitiu cobrir acima de 60% de Marte a 6 m por pixel nos 5 anos que o MRO está orbitando Marte. Além de mapear, nós usamos a CTX para obter cobertura estéreo de áreas chave, tão bem quanto monitorar centenas de lugares em Marte por mudanças como novas crateras de impactos e movimento da areia.”

Se houvesse algo incomum em Marte, as pessoas na NASA, ESA, MSSS e qualquer um monitorando Marte teriam imageado este lugar repetidamente com as melhores câmeras disponíveis. Eles amariam encontrar algo incomum, estremecedor e digno de primeira página e se eles tivessem encontrado estariam gritando isto dos telhados e não encondendo.

Se quiser ver isto no Google Mars (Google Marte), aqui estão as coordenadas: 71 49’19.73 N 29 33’06.53 W.


This story was originally published in English.


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