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Retrospections Escala do Rio: Quantificando as Consequências do Anúncio da Descoberta de Inteligência Extraterrestre
 
Escala do Rio: Quantificando as Consequências do Anúncio da Descoberta de Inteligência Extraterrestre
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Alien Life
Posted:   04/04/13
Author:    Bruno Martini

Summary: O índice da Escala do Rio (IER) provém uma forma de estimar a importância para nossa civilização do contato com uma inteligência extraterrestre.


Em 1977 as espaçonaves Voyager 1 e 2 foram lançadas ao espaço carregando fotografias chamadas de Registro Dourado contendo fotos e sons destinados a mostrar a extraterrestres um vislumbre da vida na Terra. Crédito: NASA
Entre os mistérios do Universo que são possíveis de ser investigados pela ciência, a possibilidade de inteligência extraterrestre permanece uma das mais fascinantes.

Culturas antigas ao redor do globo já especularam sobre esta possibilidade, mas agora nós podemos finalmente ter as ferramentas corretas para conduzir uma pesquisa séria.

Provavelmente os melhores exemplos desta capacidade atual é o Programa de Busca por Inteligência Extraterrestre (SETISearch for Extraterrestrial Intelligence), que busca detectar sinais eletromagnéticos de tecnologia de comunicação extraterrestre. Outro é a Busca Por Artefatos Extraterrestres (SETA - Search for Extraterrestrial Artifacts), que procura por sondas espaciais ou plantas orbitais de energia estelar (as chamadas “esferas de Dyson”). Encontrar um sinal inequívoco de tecnologia alienígena seria evidência para inteligência alienígena, mesmo se nós nunca encontrarmos nenhuma espécie viva.

Os cientistas concordam que mesmo que a descoberta de uma civilização alienígena seja um evento de baixa probabilidade, se ela um dia acorrer, terá consequências com profundos impactos sociais, políticos, religiosos, intelectuais e científicos. Mas podemos quantificar a severidade de tal evento? Podemos comparar os efeitos de diferentes situações de contato alienígena?

Visando quantificar e comparar eventos, escalas são uma ferramenta científica familiar. Por exemplo, escalas como Celsius, Fahrenheit ou Kelvin são usadas para quantificar a temperatura. A escala Beaufort expressa a força de tempestades pela velocidade do vento, enquanto a escala Saffir-Simpson classifica a força de furacões e a de Fujita faz o mesmo para tornados.

E se detectássemos luzes de cidades em um mundo alienígena? Nesta imagem a Estação Espacial Internacional (ISS) mostra como o céu noturno da terra está iluminado com luzes de muitas fontes. Crédito da Imagem: Tripulação da Expedição 29/Centro Espacial Johnson.
Iván Almár do Observatório Konkoly (Konkoly Observatory) em Budapeste, Hungria e Jill Tarter do Instituto SETI (SETI Institute) na Califórnia (EUA) desenvolveram uma escala similar para quantificar a potencial significância de qualquer anúncio de descoberta de inteligência extraterrestre.

A escala deles foi inicialmente apresentada no 51º. Congresso Internacional de Astronautica, 29º. Encontro de Revisão sobre a Busca por Inteligência Extraterrestre (51st International Astronautical Congress, 29th Review Meeting on the Search for Extraterrestrial Intelligence), em outubro de 2000. O evento foi hospedado no Rio de janeiro, Brasil, então ela foi chamada de Escala do Rio. O efetivo artigo cientifico foi publicado em 2011 na Acta Astronautica. Mais tarde naquele ano outro artigo por Almár e Margaret Race do Instituto SETI registrou na Philosophical Transactions of the Royal Society alguns aprimoramentos na Escala do Rio depois de meticulosas discussões entre a comunidade científica durante a década passada.

A escala do Rio é um pouco similar à Escala de Torino publicada em 1997 que quantifica as consequências de um encontro com um asteroide se aproximando. A Escala de Torino publicada considera o potencial dano do impacto de um asteroide e a probabilidade de sua colisão com a Terra. Ele foi a primeira tentativa de combinar em uma escala ordinal os efeitos de dois parâmetros igualmente importantes, resultando em uma variação de 0 (sem risco para a humanidade) a 10 (colisão certa induzindo uma catástrofe global).

O índice da Escala do Rio (IER) foi originalmente descrito como:

RSI = Q x δ

Onde Q é um nível estimado das consequências obtido da soma de três parâmetros: classe, tipo da descoberta e distância do fenômeno, δ representa a credibilidade da descoberta, um fator mais subjetivo, provavelmente variável com o tempo. Valores altos sempre representam consequências mais importantes.

Na tabela mostrada abaixo, a Escala do Rio possui um valor para cada uma das três categorias de Q, que tem um número variando de 3 a 15. A confiança estimada da alegação da descoberta, δ, possui cinco possíveis valores e pode aumentar ou decair com o tempo e entre diferentes observadores. Uma alegação verificada por muitos especialistas de múltiplas e não relacionadas formas é um caso de δ = 4/6. Um sinal inequivocadamente falso significa δ = 0.

O produto de Q e δ é o potencial efeito na humanidade de um anúncio da descoberta de uma inteligência extraterrestre. Ela varia de 0 a 10 (por onze níveis no total).

Tabela dos três parâmetros que resultam em um valor para Q e um fator de confiabilidade δ. A classe de fenômeno tem seis índices, o tipo de descoberta tem 5 índices e a distância da inteligência ou artefato extraterrestre alegados tem 4 índices. Finalmente, o fator de confiabilidade possui 5 possíveis índices. Imagem Modificada de: ALMÁR; TARTER (2000).


Como poderíamos reagir se encontrássemos uma civilização alienígena? Imagem do filme “Encontros Imediatos de Terceiro Grau”. Crédito: Columbia Pictures
A diferença entre as classes de mensagens “específico para a Terra” versus “omini-direcional” indica se a inteligência extraterrestre sabe sobre nosso planeta Terra.

Enquanto o SETI e o SETA visam caçar sinais de alienígenas, outras observações podem incluir detecções serendípticas feitas inadivertidamente (mais provavelmente por astrônomos). Para as classes “vazamento” e “astroengenharia”, o primeiro significa radiação eletromagnética que escapa para o espaço, enquanto o último significa qualquer outro tipo de atividade tecnológica.

Fenômenos transientes são aqueles verificados uma vez, mas nunca repetidos, enquanto fenômenos estáticos podem ser verificados por repetidas observações ou investigações. Reavaliação de dados de arquivo viriam de antigas coleções de dados e tais relatos podem ser difíceis de verificar. Os 50 anos-luz de distância são uma distância a arbitrária que permite comunicação de ida e volta através da velocidade da luz durante uma vida humana.

T A Escala do Rio indicando as potenciais consequências de um anúncio a respeito da descoberta de uma civilização extraterrestre. A escala decimal é crescente de 0 (nenhuma consequência) a 10 (consequências extraordinárias). Crédito da Imagem: Comitê Permanente do SETI da IAA.
Mesmo quando encaramos um evento de possíveis consequências enormes (com alto valor de Q), se a alegação da detecção de uma civilização extraterrestre não é crível (baixo valor de δ), isto irá diminuir a real importância da descoberta.

O Comitê Permanente do SETI da Academia Internacional de Astronautica (IAA – International Academy of Astronautics) adotou a Escala do Rio com um nível decimal de importância, pegando o exemplo da mais famosa Escala de Richter que quantifica a magnitude de um terremoto. Na página virtual do Comitê Permanente do SETI você pode calcular a Escala do Rio para diferentes cenários por si mesmo:  http://www.setileague.org/iaaseti/riocalc.htm

Iván Almár e Jill Tarter notaram “a descoberta de inteligência extraterrestre como um evento de altas consequências e baixas probabilidades” e sugeriram que sua Escala do Rio poderia ser usada pela mídia como uma ferramenta para evitar má interpretação e sensacionalismo sobre alegações de inteligências extraterrestres. Será tarefa de um grupo de especialistas independentes calcular o índice da Escala do Rio para qualquer suposta descoberta.

Artigo original de Almár & Tarter (2011):
http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0094576509003683

Artigo original de Almár & Race (2011):
http://rsta.royalsocietypublishing.org/content/369/1936/679.full.pdf+html


O autor agradece ao Prof. Iván Almár por sua assistência no rascunho deste artigo.

This story was originally published in English.

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