Isto pode ser vida, Jim…

 

Poderia a vida extraterrestre ser feita de partículas de poeira interestelar com formato semelhante ao de saca-rolhas? Intrigantes novas evidências de estruturas semelhantes à da vida que se formam de substâncias inorgânicas no espaço são reveladas no New Journal of Physics. Os achados sugerem a possibilidade da vida fora da Terra não necessariamente usar moléculas baseadas em carbono nos seus blocos de construção. Eles também apontam para uma nova possível explicação para a origem da vida na Terra.

Pesquisadores demonstraram a formação de filamentos microscópicos de estruturas helicoidais em nuvens de plasma. Os pesquisadores dizem que estas estruturas sofrem alterações que são normalmente associadas com moléculas biológicas como o DNA e proteínas – como se dividirem e formarem cópias da estrutura original.
Crédito: Tsytovich, V. N. et al. 2007.
Muitos dos ingredientes para a vida como a conhecemos se formaram no espaço exterior. A Terra foi formada de poeira estelar e depois meteoritos e cometas trouxeram ainda mais materiais para nosso planeta. Mas cientistas ainda não têm certeza quais moléculas desempenharam os papéis mais importantes na origem da vida.
Crédito: European Space Agency.

A vida na Terra é orgânica. Ela é composta de moléculas orgânicas que são simplesmente os compostos de carbono, excluindo os carbonatos e o dióxido de carbono. A ideia de partículas de poeira inorgânica poderem assumir uma forma de vida própria alienígena vai além daquelas baseadas em sílica, favorecidas por algumas estórias de ficção científica.

Agora uma equipe internacional descobriu que sob as condições certas, partículas de poeira inorgânica podem ser organizadas em estruturas helicoidais. Estas estruturas podem então interagir umas com as outras de formas que são normalmente associadas a compostos orgânicos e à própria vida.

Tsytovich, V. N. do General Physics Institute (Instituto de Física Geral), Russian Academy of Science (Academia Russa de Ciências), em Moscou, trabalhando com colegas de lá e do Institute Max-Planck for Extraterrestrial Physics (Instituto Max-Planck para Física Extraterrestre) em Garching, Alemanha e da University of Sydney (Universidade de Sidnei), Austrália, estudaram o comportamento de misturas complexas de material inorgânico em um plasma. Plasma é essencialmente o quarto estado da matéria além do sólido, líquido e gasoso, no qual os elétrons são arrancados dos átomos deixando para trás um miasma de partículas carregadas.

Até agora, físicos assumiam que só poderia haver uma pouca organização em tal nuvem de partículas. No entanto, Tsytovich e seus colegas demonstraram, usando um modelo de computador da dinâmica molecular, que partículas em um plasma podem passar por auto-organização enquanto as cargas eletrônicas se tornam separadas e o plasma se torna polarizado. Isto resulta em filamentos microscópicos de partículas sólidas que se torcem em formatos de saca-rolhas, ou estruturas helicoidais. Estes filamentos helicoidais são eletronicamente carregados e estão presos uns nos outros.

Toda vida na Terra possui uma química similar baseada no DNA, mas poderia haver outras formas de vida além do nosso planeta da qual não estamos cientes?
Crédito: NASA

De forma bizarra, não apenas estes filamentos helicoidais interagem de uma forma contra intuitiva, em que igual pode atrair igual, mas elas também podem sofrer mudanças que são normalmente associadas a moléculas biológicas, como o DNA e proteínas, dizem os pesquisadores. Eles podem, por exemplo, se dividir ou se bifurcar para formar duas cópias da estrutura original. Estas novas estruturas também podem interagir para induzir mudanças nas suas vizinhas e podem até mesmo evoluir para outras estruturas enquanto as menos estáveis se fragmentam, deixando apenas as estruturas mais aptas no plasma.

Então, poderiam aglomerados helicoidais formados a partir de poeira interestelar de algum modo serem vivos? “Estas complexas estruturas auto-organizadas de plasma exibem todas as propriedades necessárias para serem qualificadas como candidatas à matéria viva inorgânica”, diz Tsytovich, “elas são autônomas, se reproduzem e evoluem.”

Ele adiciona que as condições do plasma necessárias para formar estas estruturas helicoidais são comuns no espaço exterior. No entanto, plasmas podem também se formar nas condições da Terra, como em pontos onde caem raios. Os pesquisadores sugerem que talvez uma forma inorgânica de vida emergiu na Terra primordial, que então atuou como um suporte para as familiares moléculas orgânicas que conhecemos hoje.

This story was originally published in English.

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