Procurando por Artefatos Alienígenas na Lua

As “Blair Cuspids” fotografadas pelo Orbitador Lunar 2 em 1966. Crédito: NASA

Dois pesquisadores da Arizona State University – ASU (Universidade do Estado do Arizona) fizeram uma proposta bastante controversa: que o público e outros pesquisadores estudem as fotografias de alta resolução da Lua que já estão sendo tomadas pelo Lunar Reconnaissance Orbiter – LRO (Orbitador de Reconhecimento Lunar) para procurar anomalias que podem eventualmente ser evidência de artefatos deixados por visitas alienígenas prévias. A teoria é que se o nosso Sistema Solar foi visitado no passado, a Lua deve ter sido uma base ideal para estudar a Terra. O artigo acabou de ser recentemente publicado na revista Acta Astronautica.

O Professor Paul Davies e o pesquisador técnico Robert Wagner admitem que as chances de sucesso são bem pequenas, mas argumentam que o esforço valeria o mínimo investimento necessário. As fotografias já estão sendo tomadas regularmente pelo LRO. Quaisquer achados interessantes poderiam ser examinados por outros, incluindo profissionais em imageamento. Softwares de reconhecimento de formas poderiam também ser usados para ajudar a discernir quaisquer possíveis artefatos artificiais dos naturais.

Do resumo:

O SETI – Search for Extraterrestrial Intelligence (Busca por Inteligência Extraterrestre) tem uma baixa probabilidade de sucesso, mas teria um alto impacto se tivesse sucesso. Portanto, faz sentido ampliar a busca tanto quanto for possível dentro dos limites do modesto orçamento e recursos limitados atualmente disponíveis. Até hoje, o SETI tem sido dominado pelo paradigma de procurar por mensagens de rádio deliberadamente transmitidas.

No entanto, evidência indireta de inteligência extraterrestre pode vir de alguma incontroversa assinatura de tecnologia não humana. Todos os bancos de dados existentes para pesquisa de astronomia, biologia, ciências da Terra e planetária oferecem oportunidades de baixo custo para procurar pegadas de tecnologia extraterrestre. Neste artigo nós pegamos como caso de estudo um banco de dados em particular novo e em rápida expansão: o mapeamento fotográfico da superfície da Lua pelo Lunar Reconnaissance Orbiter – LRO (Orbitador de Reconhecimento Lunar) para resolução de 5m. Apesar de haver apenas uma minúscula probabilidade de que a tecnologia alienígena tenha deixado traços na Lua na forma de um artefato ou modificação da superfície de feições lunares, este local tem a virtude de ser próximo e de preservar traços por uma imensa duração.

O escrutínio sistemático das imagens fotográficas do LRO está sendo conduzido de qualquer forma para propósitos de ciências planetárias e este programa poderia prontamente ser expandido e terceirizado por um baixo custo extra para acomodar os objetivos do SETI, seguindo o modelo dos projetos SETI@home e Galaxy Zoo (Zoológico Galáctico).

Impressão artística do Lunar Reconnaissance Orbiter (Orbitador de Reconhecimento Lunar) da NASA. Crédito: NASA

Claro, tem sido dito por alguns que tais artefatos já foram encontrados e são conhecidos há décadas, mas escondidos do público pela NASA, et al. Toda uma pequena indústria cresceu ao redor desta ideia. Há até fartas anomalias de várias missões que seriam interessantes de ver uma resolução muito maior via LRO, como as bem conhecidas “Blair Cuspids” (Cúspides de Blair) fotografadas pelo Orbitador Lunar 2 em 1966, apesar de objetos de aparência muito mais rara serem facilmente explicados. É o mesmo problema com Marte; tantas anomalias encontradas por observadores amadores são o produto de pareidolia, efeitos da luz, defeitos na imagem e até geologia. Separar quaisquer anomalias genuínas de todo o ruído seria uma tarefa tediosa e demorada. Por outro lado, nós temos agora câmeras muito melhores em órbita ao redor da Lua (e Marte) e técnicas mais avançadas de análise fotográfica disponíveis.

Sim, as chances de encontrar algo são bem pequenas, talvez até inexistentes na opinião de alguns, mas nós as temos as imagens sendo tiradas de qualquer forma e há o desejo de alguns de estudá-las, então por que não? Se nada for encontrado, nenhum mal terá sido feito. Se algo fosse encontrado, bem isto é inteiramente outra estória…

O resumo do artigo está aqui. O artigo completo custa US$ 31.50 para baixar.

This story was originally published in English.



Paul Scott Anderson é um escritor freelancer e blogueiro e tem sido membro da The Planetary Society (Sociedade Planetária) por muito tempo.