O Futuro Interestelar da Voyager 1

 

Esta concepção artística mostra as duas espaçonaves Voyager da NASA explorando uma região turbulenta do espaço conhecida como heliosheath, a casca externa da bolha de partículas carregadas ao redor do nosso Sol. Crédito:NASA/Walt Feimer

Dados da espaçonave Voyager 1 (Viajante 1) da NASA indicam que a venerável exploradora do espaço profundo encontrou uma região no espaço onde a intensidade de partículas carregadas de fora do nosso Sistema Solar aumentou consideravelmente. Cientistas da Voyager olhando para este rápido aumento, se aproximaram de uma inevitável, mas histórica conclusão – que o primeiro emissário da humanidade para o espaço interestelar está na fronteira do nosso Sistema Solar.

“As leis da física dizem que algum dia a Voyager se tornará o primeiro objeto feito pelo homem a entrar no espaço interestelar, mas continuamos sem saber exatamente quando este dia será”, disse Ed Stone, cientista de projetos da Voyager do California Institute of Technology (Instituto de Tecnologia da Califórnia) em Pasadena. “Os últimos dados indicam que nós estamos claramente em uma nova região onde as coisas estão mudando mais rapidamente. Isto é muito excitante. Estamos nos aproximando da fronteira do Sistema Solar.”

Os dados que realizam a jornada de 16 horas e 38 minutos, 17,8 bilhões de quilômetros, da Voayager 1 até as antenas do Deep Space Network (Rede do Espaço Profundo) da NASA na Terra detalham o número de partículas carregadas medidas pelos dois telescópios de alta energia a bordo da espaçonave de 34 anos de idade. Estas partículas energéticas foram geradas quando as estrelas na nossa vizinhança cósmica sofreram supernova.

“De janeio de 2009 a janeiro de 2012, houve um acréscimo gradual de uns 25 por cento na quantidade de raios cósmicos que a Voyager estava encontrando”, disse Stone. “Mais recentemente vimos uma rápida escalada naquela parte do espectro de energia. Começando em 7 de maio, a chegada de raios cósmicos aumentou cinco por cento em uma semana e nove por cento em um mês.”

Este considerável aumento é um de uma tríade de séries de dados que precisam alterar significativamente a “agulha” (nos sensores) para indicar uma nova era na exploração do espaço. A segunda importante medida dos dois telescópios da espaçonave é a intensidade de partículas energéticas geradas dentro da heliosfera, a bolha de partículas carregadas que o Sol sopra ao redor de si. Embora tenha havido um lento declínio nas medições destas partículas energéticas, elas ainda não sumiram precipitadamente, o que seria esperado quando a Voyager atravessar a fronteira solar.

A Representação artística da espaçonave Voyager passando Saturno. Crédito: NASA

A série de dados final que os cientistas acreditam que revelará uma forte mudança é a medida da direção das linhas do campo magnético rodeando a espaçonave. Enquanto a Voyager permanece dentro da heliosfera, estas linhas de campo rumam leste-oeste. Quando passar para o espaço interestelar, a equipe espera que a Voyager descobrirá que as linhas do campo magnético se orientam em uma direção mais norte-sul. Tal análise levará semanas e a equipe da Voyager está atualmente analisando os números de sua última série de dados.

“Quando as Voyagers foram lançadas em 1977, a era espacial estava com 20 anos de idade”, falou Stone. “Muitos de nós na equipe sonharam em alcançar o espaço interestelar, mas nós realmente não tínhamos forma de saber quanto tempo o jornada levaria – ou se estes dois veículos nos quais investimos tanto tempo e energia operariam tanto tempo para alcançá-lo.”

Lançadas em 1977, a Voyager 1 e 2 estão em bom estado. A Voyager 2 está a mais de 14,7 bilhões de quilômetros de distância do Sol. Ambas estão operando como parte da Missão Interestelar Voyager (Voyager Interstellar Mission), uma missão estendida para explorar o Sistema Solar fora da vizinhança dos outros planetas e além. As Voyagers da NASA são os dois mais distantes representantes ativos da humanidade e seu desejo de explorar. Os dados que elas retornaram estão ajudando cientistas a entender as condições presentes no nosso Sistema Solar que permitiram à vida florescer na Terra. Esta informação é essencial na busca por mundos similares, habitáveis, ao redor de estrelas distantes.

This story was originally published in English.

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