Vida na Rocha Dura

Cientistas estão cavando fundo na superfície da Terra e coletando dados para um censo dos habitantes microbianos de rochas endurecidas. O que eles estão encontrando é que, mesmo a quilômetros de profundidade e ao longo de metade do globo, muitas destas comunidades são bem similares.

Os resultados, que foram apresentados na conferência da American Geophysical Union (União Americana de Geofísica) em 8 de dezembro de 2013 sugerem que estas comunidades podem estar conectadas, disse Matthew Schrenk, geomicrobiólogo da Michigan State University –MSU (Universidade do Estado de Michigan).

Cientista da MSU descobre que, mesmo a quilômetros de profundidade e a metade do caminho através do globo, comunidades microbianas são de alguma forma bastante similares. Crédito: Michigan State University (MSU).

Cientista da MSU descobre que, mesmo a quilômetros de profundidade e a metade do caminho através do globo, comunidades microbianas são de alguma forma bastante similares. Crédito: Michigan State University (MSU).

“Dois anos atrás tínhamos uma ideia restrita sobre micróbios presentes nas rochas subsuperficiais e o que eles comem”, ele disse. “Estamos agora obtendo esta imagem emergente não apenas sobre que tipo de organismos são encontrados nestes sistemas, mas também alguma consistência global entre estes locais – estamos vendo os mesmos tipos de organismos para todo lugar que olhamos”.

Schrenk lidera uma equipe financiada pelo Alfred P. Sloan Foundation’s Deep Carbon Observatory (Observatório de Carbono Profundo da Fundação Alfred P. Sloan), ou DCO, que está estudando amostras subterrâneas profundas na Califórnia, Finlândia e de poços de minasna África do Sul. Os cientistas também coletam micróbios das mais profundas fossas hidrotermais no Oceano Caribenho.

“É fácil entender como as aves e peixes podem ser similares mesmo separados por oceanos”, disse Schrenk. “Mas desafia a imaginação pensar em micróbios quase idênticos separados por 16.000 quilômetros um do outro em fendas de rocha dura em profundidades, pressões e temperaturas extremas.”

Catalogar e explorar esta região, um bioma relativamente desconhecido, pode levar à ruptura ou recuo da mudança climática, à descoberta de novas enzimas e processos que podem ser úteis para pesquisas de biocombustíveis e biotecnologia, ele acrescentou.

Por exemplo, os esforços futuros de Schrenk focarão em desvendar as respostas sobre quais fontes de carbono usar, como eles lidam com tais condições extremas, assim como a forma como suas enzimas evoluem para funcionar tão profundamente no subterrâneo.

“Integrando esta região nos modelos existentes de biogeoquímica global e adquirindo uma melhor compreensão sobre quão profundamente organismos abrigados em rochas contribuem com ou mitigam os gases de efeito estufa pode nos ajudar a desvendar os enigmas a respeito da Terra dos dias modernos, da Terra antiga e mesmo de outros planetas”, afirmou Schrenk.

Coletar e comparar dados microbiológicos e geoquímicos através dos continentes é possível pelo DCO. O DCO tem permitido aos cientistas de diversas disciplinas melhor compreender e descrever estes fenômenos, ele acrescentou.

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Outros pesquisadores incluem Julie Huber do Marine Biological Lab. (Laboratório de Biologia Marinha), T.C. Onstott da Princeton University, Merja Itavaara do VTT Finland e Ramunas Stepanauskas do Bigelow Laboratories (Laboratórios Bigelow).


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