Elevação dos Mares e Declínio das Espécies

Oceanos Adiante

O fitoplâncton compreende o maior nível da cadeia alimentar nos oceanos. Crédito: The University of Liverpool(A Universidade de Liverpool, Inglaterra).

Um dos mais perturbadores aspectos da mudança climática é o impacto nos oceanos, que são uma tremenda fonte de nutrientes para a vida em terra. A acidificação, o derretimento de gelo e o aumento da temperatura de superfície estão impactando a vida marinha em uma miríade de formas.

Quanto um ecossistema pode suportar?

Um editorial na edição de setembro de 2010 do jornal Nature Geoscience aponta que os oceanos podem estar sofrendo no nível mais básico de sua cadeia alimentar: no fitoplâncton. A base microscópica, fotossintética da vida oceânica responde por metade da produção de matéria orgânica na Terra. Uma estimativa, publicada na edição de agosto da Nature, indica um declínio de um por cento da mediana global de fitoplâncton, baseada em observações datando de 1899, em 8 de 10 regiões oceânicas devido ao aumento de temperatura do mar.

A razão? O editorial aponta que com maiores temperaturas, o oceano se torna mais estagnado. Ocorre menos mistura das águas profundas ricas em nutrientes, cortando o suprimento alimentar do fitoplâncton. Com a concentração de fitoplâncton diminuindo, é fácil imaginar o que acontece com o resto da cadeia alimentar.

O Census of Marine Life (Censo da Vida Marinha) com uma década de duração, conduzido por pesquisadores de mais de 80 nações, foi publicado em 04 de outubro em Londres. Ele objetiva criar uma “chamada” de espécies de 25 regiões “biologicamente representativas”, das águas polares aos mares tropicais, em um esforço para lidar com o que sobrou lá fora.

Com o declínio do fitoplâncton e outros impactos relacionados ao clima forçando mudanças no mar a caminho, nós finalmente temos uma linha de base para rastrear para onde nossos oceanos estão indo. Esta informação poderia ser essencial na compreensão de como mudanças nos oceanos poderiam afetar a futura habitabilidade do nosso planeta.

Os oceanos estão subindo, mas quanto?

Nós sabemos que os mares estão subindo, mas quanto?
Foto: Franklin O’Donnell

Como o mercúrio continua a subir (nos termômetros), nós todos sabemos que o nível do mar também está subindo. Mas quanto? Os cientistas fazem o melhor que podem para modelar os impactos e baseados nisto, tomadores de decisão vieram com o limite de 2 graus Celsius para quão mais quente a Terra pode ficar e ainda permanecer na zona de segurança.

Mas e se eles estiverem errados? Um artigo publicado no Journal of Quaternary Science de setembro sintetizou dados marinhos, terrestres e de gelo do último evento interglacial, uns 125.000 anos atrás, que foi principalmente dirigido por mudanças orbitais na Terra.

Os geógrafos Chris Turney e Richard Jones da University of Exeter (Universidade de Exeter) vieram com uma estimativa revisada da média das temperaturas globais de 1,9o C mais quente que os níveis pré-industriais, o que resultou em um violento aumento do nível do mar de 6,6 a 9,4 metros mais alto que hoje. Isto resulta em 60 a 90 centímetros por década, o dobro do observado em anos recentes.

Considere nossa corrente projeção para um cenário de baixas emissões de CO2 e a comparação é alarmante. O Quarto Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática considera que o aumento da temperatura em dois graus Celsius, resultando em um aumento do nível do mar de 0,18 a 0,38 metro seja o melhor cenário. Mas é uma crescente improbabilidade, dado o pequeno esforço para frear o apetite do planeta por carbono. Esta estimativa do aumento do nível do mar, nós sabemos ser lenta, uma vez que ela exclui o fluxo de coberturas de gelo devido à falta de dados na literatura publicada.

Se o último interglacial é algum indicador do que 2 graus Celsius nos fazem, podemos estar sujeitos a mares muito mais altos do que jamais imaginamos.

This story was originally published in English.

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