Vastos Oceanos Sob a Terra

Graham Pearson segura um diamante que contém o mineral “ringwoodita” rico em água, uma nova descoberta que gera novas pistas sobre a presença de grandes quantidades de água nas profundezas da Terra. Crédito: Richard Siemens/University of Alberta.

Graham Pearson segura um diamante que contém o mineral “ringwoodita” rico em água, uma nova descoberta que gera novas pistas sobre a presença de grandes quantidades de água nas profundezas da Terra. Crédito: Richard Siemens/University of Alberta.

This press release was originally published in English on March 22, 2014. This translation for the Portuguese edition of Astrobiology Magazine was provided by Bruno Martini. The original article is available here.


Ele pode ser o diamante mais feio que você já viu, mas dentro deste pedaço marrom de carbono está uma joia de descoberta para o cientista da University of Alberta (Universidade de Alberta), trabalhando para revelar um mistério do tamanho de um oceano nas profundezas da Terra.

Uma equipe internacional de cientistas liderada por Graham Pearson, da Canada Excellence Research Chair (Cadeira de Excelência em Pesquisa do Canadá) em Recursos Árticos na Uof A (Universidade de Alberta), descobriu a primeira amostra da história de um mineral chamado ringwoodite (ringwoodita). A análise do mineral mostra que ele contém uma quantidade significativa de água – 1,5 por cento de seu peso – uma descoberta que confirma teorias científicas sobre vastos volumes de água aprisionados nas profundezas da Terra, entre o manto superior e inferior.

“Esta amostra realmente provém uma confirmação extremamente forte de que há pontos úmidos locais no subterrâneo da Terra nesta área”, disse Pearson, um professor da Faculdade de Ciências, cujas descobertas foram publicadas em 13 de março na Nature. “Aquela zona em particular da Terra, a zona de transição, pode ter tanta água quanto todos os oceanos do mundo juntos.”

A ringwoodita é uma forma de mineral perídoto, que se acredita existir em grandes quantidades sob altas pressões na zona de transição. A ringwoodita já foi encontrada em meteoritos, mas até agora, nenhuma amostra terrestre jamais havia sido desenterrada porque os cientistas não foram capazes de realizar seu trabalho de campo em profundidades extremas.

A amostra de Pearson foi encontrada em 2008 em Juína, Mato Grosso, Brasil, onde mineradores artesanais desenterraram o diamante hospedeiro de cascalhos na parte rasa de um rio. O diamante foi trazido para a superfície da Terra por uma rocha vulcânica conhecida como Kimberlite (Kimberlito) – a rocha vulcânica de origem mais profunda de todas.

A descoberta que quase não foi

Pearson afirmou que a descoberta foi quase acidental já que sua equipe estava à procura de outro mineral quando eles pagaram aproximadamente 20 dólares por um diamante marrom com aparência suja de três milímetros de comprimento. A ringwoodita é invisível a olha nu, enterrada sob a superfície, então foi sorte que ela tenha sido encontrada pelo estudante de pós-graduação de Pearson, John McNeill, em 2009.

A primeira descoberta terrestre de ringwoodita pelo cientista da Universidade de Alberta, Graham Pearson, confirma a presença de quantidades maciças de água de 400 a 700 km abaixo da superfície da Terra. Crédito: University of Alberta.

A primeira descoberta terrestre de ringwoodita pelo cientista da Universidade de Alberta, Graham Pearson, confirma a presença de quantidades maciças de água de 400 a 700 km abaixo da superfície da Terra. Crédito: University of Alberta.

“Ela é tão pequena, esta inclusão, é tão extremamente difícil de encontrar, que nós nunca nos importamos em trabalhar nela”, disse Pearson, “então foi um pouco de sorte, esta descoberta, assim como são muitas descobertas científicas.”

A amostra passou por anos de análise usando espectroscopia de Raman, infravermelha e difração de raios-X antes de ser oficialmente confirmada como ringwoodita. As medições críticas da água foram realizadas no Artic Resources Geochemistry Laboratory (Laboratório de Recursos Geoquímicos do Ártico) de Pearson na Universidade de Alberta. O laboratório faz parte do mundialmente renomado Canadian Center for Isotopic Microanalysis (Centro Canadense para Microanálise Isotópica), que também é líder do maior grupo de pesquisa acadêmica em diamantes do mundo.

O estudo é um grande exemplo da colaboração internacional moderna com alguns dos maiores líderes em vários campos, incluindo o Geoscience Institute (Instituto de Geociências) da Universidade de Goethe, Universidade de Padova, Universidade de Durham, Universidade de Viena, Trigon GeoServices e Universidade de Ghent.

Para Pearson, uma das maiores autoridades do mundo no estudo de rochas hospedeiras de diamantes do subterrâneo da Terra, a descoberta está entre as mais significantes de sua carreira, confirmando aproximadamente 50 anos de trabalho teórico e experimental por geofísicos, sismólogos e outros cientistas que estão tentando compreender a composição do interior da Terra.

Os cientistas têm estado profundamente divididos a respeito da composição da zona de transição e se ela está cheia de água ou seca como um deserto. Saber que existe água abaixo da crosta tem implicações para o estudo de vulcanismo e placas tectônicas, afetando como as rochas derretem, resfriam e se alteram sob a crosta.

“Uma das razões para a Terra ser um planeta tão dinâmico é por conta da presença de alguma água em seu interior”, afirmou Pearson. “A água muda tudo sobre a forma como um planeta funciona”.

____________________________________________________________________________

A publicação de comunicados de imprensa e outros conteúdos terceirizados não significam apoio ou filiação de qualquer tipo.

 

Publication of press-releases or other out-sourced content does not signify endorsement or affiliation of any kind.