Vírus derrubam massivas proliferações de algas com grandes implicações para o clima

This Press Release was originally posted in English on Aug 25, 2014. This translation for the Portuguese edition of Astrobiology magazine was provided by Bruno Martini. The original article is available here.


Algae Bloom in Lake Erie. Credit: NASA Earth Observatory

Floração de algas no Lago Erie. Crédito: NASA Earth Observatory

Algas podem parecer fáceis de ignorar, mas elas são a mais fundamental fonte de toda a matéria orgânica dos quais os animais marinhos dependem. Os humanos são cada vez mais dependentes das algas também, para capturar o dióxido de carbono do aquecimento global da atmosfera e afundá-lo no fundo do oceano.

Agora, usando uma combinação de imagens de satélite e experimentos de laboratório, pesquisadores têm evidências mostrando que os vírus que infectam aquelas algas estão direcionando a dinâmica de vida e morte das florações algais (blooms), mesmo quando todo o resto se mantém essencialmente o mesmo, e isto tem importantes implicações para o clima.

De acordo com os resultados relatados no jornal Current Biology da Cell Press em 21 de agosto, apenas uma floração algal do Atlântico Norte, com aproximadamente 30 quilômetros de raio converteu 24.000 toneladas de dióxido de carbono da atmosfera em carbono orgânico através de um processo conhecido como fixação de carbono. Dois terços desse carbono foi transferido dentro de uma semana, enquanto a floração crescia a uma taxa muito rápida e então subitamente encontrou seu fim. Uma visão mais aproximada dessas algas revelou altos níveis de vírus específicos infectando suas células.

Para colocar em perspectiva, Assad Vardi do Weizmann Institute of Science (Instituto de Ciência Weizmann) em Israel diz que essa ‘mancha do oceano’ fixa tanto carbono quanto uma mancha equivalente na floresta tropical e então quase imediatamente muito dela se acaba.

Algae Bloom in Lake Erie. Credit: NASA Earth Observatory

Este é um mapa de localização. (B) Mapa da clorofila superficial de 22 de junho de 2012 (dia 174), destacando a mancha de fitoplâncton como uma área distinta de alta concentração de clorofila. Crédito: Current Biology, Lehman et al.

‘Isso, é claro, é apenas uma mancha e há inúmeras manchas que estão ocorrendo em outras partes do Oceano Atlântico’, acrescenta Ilan Korean, também do Instituto Weizmann, sem mencionar aquelas florações algais que aparecem em outras estações e ecossistemas.

‘Enquanto o impacto que os vírus causam em todo o ecossistema foi previamente estimado como sendo muito grande, provemos a primeira abordagem para quantificar seus imensos impactos em florações de mar aberto.’

Importantes questões continuam abertas sobre o destino final de todo o carbono tomado por florações algais, dizem os pesquisadores. Muito dele é provavelmente reciclado de volta para a atmosfera por bactérias. Mas também é possível que as algas infectadas por vírus liberem açúcares e lipídios grudentos, levando suas células e o carbono dentro delas a afundar mais rapidamente para o assoalho oceânico.

‘Se o último cenário for verdadeiro, terá um profundo impacto na evidência do dióxido de carbono ser ‘bombeado’ da atmosfera para o oceano profundo’, diz Vardi. ‘Este carbono terá então uma melhor chance de ser soterrado no sedimento oceânico.’

As descobertas melhorarão os modelos que prevêm o futuro de florações algais e seus impactos no clima. Eles também servem como um lembrete de que algumas vezes são realmente as pequenas coisas que importam.

‘Essas interações começam quando um vírus infecta uma célula, mas eles terminam causando o colapso de massivas florações que se espalham por milhares de quilômetros’ diz Korean. ‘Essas interações de vida e morte em microescala têm enorme importância para a grande escala e vice-versa.’

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Fonte: Cell Press

Tradutor: Bruno Martini

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